Petrobras acompanhou PPI, mas desta vez em ritmo mais acelerado, avalia Ineep | Empresas


A queda nos preços do óleo diesel anunciada hoje pela Petrobras indica que a estatal acompanhou os preços internacionais, mas num ritmo mais acelerado, quando se compara o novo valor nas refinarias (R$ 4,89) com a média semanal de preços de paridade de importação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A avaliação é de Carla Ferreira, pesquisadora do Instituto Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Segundo ela, considerando o cenário verificado nos últimos dias e o calendário eleitoral, há uma disposição da empresa em promover uma redução mais forte dos preços. Carla salientou que os preços já se aproximam do patamar de maio deste ano, quando o litro do combustível era de R$ 4,91, embora ainda esteja muito acima dos R$ 3,34 por litro registrados no início deste ano.

“Por mais que se tenha esse movimento de redução, [o ritmo] ainda é muito lento, quando se considera um período mais longo”, disse Carla. Na visão da pesquisadora, apesar de haver um revezamento entre os três principais combustíveis nos anúncios de redução de preços pela Petrobras, há ainda no ar uma perspectiva de volatilidade no mercado internacional, o que não acontece com a mesma intensidade com o gás de cozinha e a gasolina.

Essa visão se dá por causa da suspensão do fornecimento do gás natural russo, que leva à substituição pelo óleo diesel, especialmente nos Estados Unidos, elevando a demanda, ao mesmo tempo que a oferta continua apertada.

A Petrobras anunciou a redução em R$ 0,30 por litro nos preços do diesel nas refinarias, quase 40 dias após da última queda, no dia 12 de agosto.

Carla afirmou também que não há mais espaço para uma redução mais acelerada nos preços por meio dos tributos, como aconteceu recentemente, uma vez que os impostos federais já estão zerados e o ICMS, estadual, sempre foi mais baixo para o combustível ante as alíquotas que incidiam sobre a gasolina.

Além disso, a mudança tributária quebrou em parte a lógica do diesel como um combustível subsidiado – o uso é restrito a transporte de passageiros e de carga (caminhões e utilitários com capacidade de carga acima de uma tonelada).

Com alíquotas de ICMS semelhantes para diesel e gasolina e tributos federais zerados, o sinal é de que não há mais incentivos ao uso do diesel como se fazia no passado. “A política tributária pode ser usada para uma política ambiental, por exemplo. Seria possível elevar o preço da gasolina e reduzir o do diesel para incentivar o uso do transporte público”, disse Carla.

Ela lembra ainda que neste ano foi a primeira vez que os preços do óleo diesel ficaram mais caros nas bombas do que os da gasolina. Embora o preço nas refinarias fosse mais caros, isso era compensado pela política tributária.

Diesel — Foto: Pixabay



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