Em discurso na ONU, Bolsonaro critica ‘sanções unilaterais e seletivas’ | Política


O presidente Jair Bolsonaro criticou nesta terça-feira (20) a adoção de “sanções unilaterais e seletivas” à Rússia diante da invasão liderada por Vladimir Putin à Ucrânia. Em discurso na abertura da 77ª Assembleia-Geral da ONU, o mandatário brasileiro também manifestou preocupação com a retomada do uso de energia não-renovável por países afetados pelo corte no fornecimento de gás pela Rússia, uma retaliação a sanções impostas pela Europa.

“As consequências do conflito já se fazem sentir nos preços mundiais de alimentos, de combustíveis e de outros insumos. Estes impactos nos colocam a todos na contramão dos objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Países que se apresentavam como líderes da economia de baixo carbono agora passaram a usar fontes sujas de energia. Isso configura um grave retrocesso para o meio ambiente”, afirmou Bolsonaro.

“Não acreditamos que o melhor caminho seja a adoção de sanções unilaterais e seletivas, contrárias ao Direito Internacional. Essas medidas têm prejudicado a retomada da economia e afetado direitos humanos de populações vulneráveis, inclusive em países da própria Europa”.

O brasileiro defendeu que a solução para o conflito na Ucrânia será alcançada somente “pela negociação e pelo diálogo”.

O conflito também é um alerta, na visão de Bolsonaro, sobre a necessidade de reforma da ONU e de seu Conselho de Segurança. O Brasil reivindica assento permanente no organismo.

“O conflito na Ucrânia já se estende por sete meses e gera apreensão não apenas na Europa, mas em todo o mundo”, acrescentou o mandatário brasileiro. “Defendemos um cessar-fogo imediato, a proteção de civis e não-combatentes, a preservação de infraestrutura crítica para assistência à população e a manutenção de todos os canais de diálogo entre as partes em conflito. Esses são os primeiros passos para alcançarmos uma solução que seja duradoura e sustentável”.

O Brasil tem trabalhado, de acordo com o presidente, junto às Nações Unidas e em outros foros para evitar o bloqueio dos canais de diálogo, causado pela polarização em torno do conflito. “É nesse sentido que somos contra o isolamento diplomático e econômico”, frisou.

Na contramão da maioria dos líderes do Ocidente, Bolsonaro não condenou a invasão à Ucrânia e faz questão de ressaltar sua relação com Putin, essencial, na visão do brasileiro, para evitar prejuízos econômicos.

Presidente Jair Bolsonaro discursa na 77ª Assembleia-Geral da ONU — Foto: Reprodução/ONU



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